sábado, 14 de julho de 2012

diário da peça

ontem me diverti muito na peça falando da crítica que não consegue articular o que mora dentro da caixinha com o que vai fora. sempre pensei a arte como uma casa geminada à vida e dou graças a ter escapado de poucas e boas para poder contar... minhas histórias (muito embora, o verbo às vezes não abranja a imensidão ou eu não domine o verbo o suficiente p/ isso). devoro a vida,
digiro e relato. é bom estar vivo pra isso. vivo muito vivo e bem disposto. allez up !

sexta-feira, 13 de julho de 2012

uhm promotion

UMA HISTÓRIA À MARGEM

ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
rua humaitá, 163/fundos - 2535 3846.

ESSA SEXTA, 13 DE JULHO, 19 HS.
PROMOÇÃO PREÇO ÚNICO: CINCOREAIS.


   se vc der 3 pulinhos e pedir pra são longuinho, a memória,
que vc perdeu num jogo na noite anárquica, ela,
a memória, pode aparecer?
nica era o nome dela?
ou dico?
 (chacal)

quinta-feira, 12 de julho de 2012


UMA HISTÓRIA À MARGEM
texto e atuação: Chacal
direção: Alex Cassal
Nova temporada começa dia 6 de julho

no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá 
Um carioca que viveu sua infância e adolescência na Copacabana da juventude transviada, das turmas de rua, da psicodelia dos anos 60, ao som de Caetano Veloso e Rolling Stones. Um funâmbulo, que passeou sob os céus pesados da ditadura, assistiu Allen Ginsberg uivando em Londres, tropeçou com Waly Salomão pelas dunas de Ipanema, viajou com a trupe do Asdrúbal, voou sob a lona do Circo Voador, atravessou o país carregando malas cheias de livros. Um artista pop que bateu bola com a Blitz, Lulu Santos, Barão Vermelho, Fernanda Abreu e Jards Macalé. Um pândego carnavalesco, um minotauro inventor de artimanhas, um poeta à margem, que há mais de 40 anos vive da palavra. (alex cassal)

De 06/07 a 29/07. sexta e sábado às 19h | Domingo às 18h
Ingressos: Inteira R$ 20 | Meia e lista-amiga R$ 10
Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Rua: Rua Humaitá, nº 163 – Humaitá
Tel: (21) 2535-3846

Uma história à margem
Texto e atuação: Ricardo Chacal. Direção: Alex Cassal. Dramaturgia: Ricardo Chacal e Alex Cassal. Assistência de direção: Daniela Fortes. Direção musical: Rafael Rocha. Cenário: André Weller. Projeto gráfico: Fábio Arruda e Rodrigo Bleque | Cubículo. Fotos: Cafi. Assessoria de imprensa: Mônica Riani. Assistência de produção: Bárbara Fontana. Direção de produção: Tatiana Garcias.


uma história à margem viajando


nova temporada - delícia a despedida de uma história à margem do sesc no domingo passado. querid@s amig@s na platéia. outr@s que não conseguiram entrar. momento auge p/ mim. ter vivido aquilo tudo e estar vivo, muito vivo e bem disposto pra contar essa história. agradeço muito ao alex cassal, a dani fortes, a tati garcias e bárbara fontana, a andrea capella, a andré weller, ao cafi, a thabata,
ao pedro, ao thierry, ao luciano, parceiros de toda a viagem.
e ao fate e o sesc, dinheiro e lugar p/ alçar vôo.
quem não viu ou quiser ver de novo,
devemos voltar dia 5 de julho no andar de cima do sérgio porto.
a viagem apenas começou. até jah !
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como poeta, sou um ator
como ator, um performer
como performer, um produtor
como produtor, zero à esquerda
isso porque um dia fui passear ali no meio da rua
ali onde não há moldura, esquadria, escaninho, enfermaria, definitude.
e gostei.
vem.
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sou um griot. canto minha tribo. uma das minhas memórias mais dilacerantes era ver presos políticos, sem nenhum traço vital no rosto, visivelmente torturados, irem renegar a luta armada no jornal nacional (alô alô comissão da verdade, a globo deve ter esses registros). se não me engano, era junto com a copa de 70. hoje não há mais luta armada. todos em uníssomo, perfilados diante do mercado, em busca de uma boa oferta de eletrodoméstico (uma boa marca de geladeira ou máq de lavar?) ou de um aplicativo p/ o celular. eu sou a minha tribo. canto como um griot.

as fotos são do CAFI.

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domingo, 4 de março de 2012

para uma revista a pedido da célia pedrosa




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Sou de uma geração utópica. Nasci em 1951. vivi o movimento estudantil e o movimento hippie de 17 a 21 anos. Nunca consegui me desvencilhar dessa mania de mudar o mundo. Talvez por me sentir desconfortável na camisa de força da gramática e querer reinventar o jeito de se expressar e se comunicar com as pessoas, talvez por querer tomar pra si a luta contra as injustiças do mundo. 
Sei que minha vida toda se pautou por essa tentativa de fazer as coisas do jeito que acho melhor. Isso começou com a utilização de meios artesanais – mimiógrafo – para publicar meus poemas, depois distribuídos de mão em mão. O que era um projeto para ter autonomia na realização e distribuição de um trabalho, acabou por virar exemplo de independência do processo tradicional do livro.
O mundo institucional nunca me atraiu. Creio que ele é o responsável por essa merda que aí está.
Mas respondendo mais objetivamente se a poesia é uma forma de resistência, acredito que sim. O fato do poeta recriar a linguagem, torna-o um exiled on main street, uma pessoa para quem as regras e os cânones devem estar sempre sendo questionados e ultrapassados. E isso, é claro, contamina a forma de ver, pensar e agir no mundo. Em contextos muito conservadores e repressivos, essa característica básica do poeta se exarceba, tornando o poeta um combatente na linha de frente contra ditaduras e tiranias diversas. No mundo mercantilizado que vivemos, o poeta deve estar focado na luta desesperada em busca do humano em todas as relações. E talvez a melhor arma seja justamente a poesia, a música, a dança, as artes em geral, que transtornam, subvertem a lógica do capital e do consumo desenfreado e recola o ser humano diante das suas emoções profundas e seu básico instinto.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

DA MÃO PRA BOCA



vivemos da mão pra boca. sem crítica, sem juízo, sem noção. produzimos um monte de merda e somos obrigados a consumi-la. podemos escolher entre um gol vermelho, uma tv de tela plana, um celular americano ou chinês, um livro ou um cd, um desktop ou um laptop, um ou outro jornal ou revista. só não podemos escolher entre consumir ou não. produzimos então temos que consumir. e haja barulho pra isso. pesquisas caras e sofisticadas para convencer o otário a comprar o q não precisa. o que não quis produzir e não quer consumir. e tome empréstimo, endividamento, dor e violência.

nada contra o consumo. consumimos o ar, a água, o calor e o amor do outro. e também somos consumidos. a vida é troca. compra e venda. intercâmbio. o diabo é ter que comprar o que não queremos, nem precisamos. só para se adequar, se adaptar a um sistema que vende a moda, o status, a competição a juros altos.

alguns movimentos tentaram se rebelar. o hippie foi um deles. volta ao campo. plantar, colher. fazer seu próprio pão. viver do refugo da sociedade industrial. essa, ameaçada, voltou a valorizar seus fundamentos: competição, propriedade e consumo. e desconstruir na mídia, seus oponentes. e tome riponga, natureba, bicho grilo. mas a consciência ecológica veio pra ficar. a luta é boa. depende dela mais alguns anos de vida para o planeta e um pouco de sorriso para o nosso corpo. com a benção de jorge, que venha o dragão !

sexta-feira, 1 de julho de 2011

leitura e livro




Salim anda bufando. Difícil colar código de barra em bits. Impossível embalar bytes e vender na rua da alfândega. A poderosa indústria do disco foi pro espaço. A do livro, esperneia, bufa, berra mas vai pelo mesmo caminho. Salim anda bufando. 
Ontem no Encontro Municipal de Livro e Leitura, a representante das editoras fez seu papel. Numa sala com umas 40, 50 pessoas no Calouste Gulbekiam, ela pediu o adiamento do encontro dizendo que ali não estavam representantes de livreiros, distribuidores, etc, etc. isto é, gente que interessa, que faz movimentar a cadeia produtiva do livro. Gente que faz a economia da cultura rodar. Não importa que ali estivessem professores, animadores culturais, pessoas de teatro, contadores de história e até um poeta. Isso não conta. Não compra, não vende. Isso não é gente. O que importa são as editoras e seu séquito e o poder público para as costumeiras transfusões de dinheiro do público para o privado. Assim reza a cartilha do livre mercado: o poder público deve financiar quaquer empresa a perigo.
As representantes do secretaria de cultura e da educação mantiveram a proposta de se formar grupos de trabalho. Sim, ali estavam as pessoas interessadas em que a leitura do mundo chegassem aos alunos da rede pública e às pessoas em geral. Aquelas pessoas que convivem no dia a dia das crianças, sejam embalando com suas histórias e versos, seja cuidando da educação formal. O poder público tomou posição. O poder público mostrou ao que veio: pensar na educação e na cultura de todos e não mais em conchavar com o mundo do negócio. Salim anda bufando.