quarta-feira, 4 de agosto de 2010


  UMA HISTÓRIA À MARGEM




  PROGRAMA PETROBRAS CULTURAL 

SUMÁRIO DA INSCRIÇÃO


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  Apresentação:



UMA HISTÓRIA À MARGEM é uma ficção baseada na vivência do autor em movimentos que correm na contra mão da história oficial como a Poesia Marginal dos anos 70, o teatro independente do Asdrúbal trouxe o Trombone, a produção informal do Circo Voador e do Centro de Experimentação poética – CEP 20.000 ou a formação de blocos de carnaval de rua no Rio nesse finício de milênio.


O objetivo geral é registrar essa memória contemporânea com as artimanhas da criação literária. UMA HISTÓRIA À MARGEM será um livro em torno de 200 páginas com textos, depoimentos, músicas de carnaval, fotos e poesia. O livro servirá de farol para quem quer se aventurar nessa árdua área da produção artística independente.



  Objetivos:



Realizar um livro em que a fruição da leitura esteja aliada ao conhecimento de pessoas, grupos, movimentos que adequaram a cara do mundo a uma nova maneira de pensar e fazer.


Como desdobramentos de UMA HISTÓRIA À MARGEM, palestras, oficinas, recitais e performances poéticas, de preferência em escolas de segundo grau da rede pública, em bibliotecas públicas, em centros culturais e teatros, que irão ajudar a dar visibilidade e comercializar o livro.



  Justificativa:



O Brasil é um país de memória curta. Não tem preocupação em cuidar de seus arquivos, de sua história. Hoje, com a crescente informatização, essa tarefa se torna mais fácil. Por outro lado, a mesma era digital que facilita ao extremo o acesso à informação, gera uma orgia do instantâneo, do presente, do agora. Tudo pelo e para o consumo imediato. Com isso as experiências adquiridas em milênios pela humanidade, deixam de ser referência. Mais vale o dernier cri da moda mundana para hipnotizar o freguês e afastá-lo de qualquer tentativa de dar fundamento às atividades e criações humanas.


O que vivemos há pouco então, é totalmente descartado. Afinal “precisamos” consumir coisas novas. Diria o grande mestre Nelson Rodrigues: nada mais distante que o passado recente. Mas são justamente essas experiências próximas, onde ainda podemos nos reconhecer, que nos servirão de balizas para se tocar do presente e viajar ao futuro.


Aí a importância de UMA HISTÓRIA À MARGEM. Essa paradoxal memória contemporânea, deve servir para orientar os náufragos e aventureiros nesses mares da criação, através da experiência vivida transformada em auto ficção, uma abordagem livre, mais preocupada com o ritmo, as imagens sonoras e visuais do que propriamente com a veracidade dos fatos, já que toda a realidade é uma versão. Um recorte de quem a escreve, de quem a vive.


UMA HISTÓRIA À MARGEM quer colocar lenha na fogueira. Dar o testemunho de quem viveu intensamente diversos movimentos culturais ao largo de 59 anos de vida e de 39 de vida artística, movimentos que por serem mais experimentais e híbridos que ligados ao main stream da cultura, ao cânone acadêmico, estão condenados à vala rasa da história.








                                 UMA HISTÓRIA À MARGEM

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1 = A PRÉ HISTÓRIA

da orelha esquerda de Moisés

saltava um duende capenga

nas noites de lua nova

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Esse foi meu primeiro poema, escrito e desenhado a caneta pilot num dos três cadernos de poesia escritos entre 1970 e 1971. De jogador de vôlei e futebol de salão pelo Fluminense até 67, a participante de grupos de estudos do movimento estudantil em
 68, a adepto dos filmes de Glauber e Godard no Cine Payssandu em 68 e 69, a vida se esvaía. A realidade, um espeto. O Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, fechando o Congresso, tinha dado ao governo militar um poder ilimitado. Vivia-se em um estado de terror onde sua casa podia ser invadida a qualquer denúncia. Por causa de subversão,drogas ou simples reuniões. O clima de delação era estimulado por toda parte.

Do lado de fora, Woodstock explodia nas telas. Beats, hippies, Dylan, marchava contra a Guerra do Vietnã e o repressivo “american way of life”. Na França, Godard e os estudantes desafiavam às velhas estruturas do poder. O mundo de cabeça pra baixo e pernas para o ar. E eu, extático, vendo aquilo tudo com 17, 18 anos e querendo me comunicar.
 
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